A magia e a intensidade das cores de Marc Chagall (1887-1985), pintor bielorruso que se fixou na França, podem ser vistos em Belo Horizonte. De 4 de agosto a 4 de outubro de 2009. A Casa Fiat de Cultura realiza a exposição “O Mundo Mágico de Marc Chagall - O Sonho e a Vida”, sob curadoria de Fabio Magalhães. A mostra segue para o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro (RJ), em versão reduzida, onde permanecerá aberta ao público de 15 de outubro a 6 de dezembro de 2009.
A exposição de Marc Chagall reúne 302 trabalhos do artista e 28 obras do Contexto Brasil, entre pinturas, guaches, esculturas e gravuras. Destaque para as séries completas de gravuras como La Bible [A Bíblia], Daphnis et Chloé [Dafne e Cloé] e Les Âmes mortes [As Almas mortas], reunidas pela primeira vez no Brasil, assim como a obra Salon de coiffure (oncle Zussy) [Salão de cabeleireiro (tio Zussy)], guache e óleo sobre cartão de 1914, que pertence à Galeria Tretyakov, na Rússia.
Breve Biografia Marc Chagall (Moshe Zakharovitch Shagal) nasceu em 6 de junho de 1887, em um bairro de judeus pobres de Vitebsk, na Bielo-Rússia – àquele tempo, pertencente ao império russo. Um dos pioneiros da modernidade, participou das grandes transformações das artes plásticas no início do século XX, tornando-se um dos mais notáveis artistas de seu tempo. Apesar do intenso convívio com as tendências de vanguarda, a arte de Chagall adquire contornos pessoais desde a juventude. Desde cedo, sua expressão segue caminhos singulares.
O curador Fabio Magalhães disse que a primeira e única exposição das pinturas do artista no Brasil ocorreu durante a IV Bienal Internacional de São Paulo, em 1957.
As obrasO imaginário popular da Europa Oriental e os temas religiosos, mitológicos e literários compõem um panorama que permeia o real e o fantástico, o sonho e a vida. A sensibilidade e a poética de Chagall estão presentes em suas obras. Também integram a mostra duas esculturas do artista, produção muito pouco abordada e exibida de Chagall.
O visitante encontra um panorama dos trabalhos da juventude e da maturidade do artista, além de um núcleo expositivo que busca contextualizar a relação entre Chagall e o Brasil, com destaque para obras de artistas brasileiros influenciados pelo pintor. A mostra conta, ainda, com a exibição do vídeo realizado por Roberto D'Avila, para a série de programas intitulados Conexão Internacional, em que entrevistou Chagall e Vavá, esposa do artista. Trata-se de uma das últimas entrevistas com o artista, realizada na década de 1980.
Os módulos da exposição 1) Pinturas da juventude34 obrasO primeiro módulo da exposição retrata obras de Chagall em sua fase jovem. Neste núcleo, destaque para as obras que simbolizam a adesão, pelo artista, à revolução bolchevista, como em Paix aux chaumières - Guerre au palais [Paz nas choupanas - Guerra no palácio], aquarela de 1918, que pertence à Galeria Tretyakov, em Moscou. As primeiras gravuras da Série Ma Vie (Minha Vida) também estão contempladas nesta primeira fase.
2) Séries Les Âmes Mortes
96 gravurasSegundo módulo da mostra, a série de gravuras Les Âmes mortes diz respeito às reminiscências da Rússia. O romance Almas mortas, de Gogol, ressuscitou na memória de Chagall os tipos humanos característicos do país, que a revolução comunista fez desaparecer, como Séliphane, o cocheiro beberrão e preguiçoso que acompanha o ganancioso amo Tchitchikov, que, em suas aventuras à procura de fortuna e sucesso, “compra” de senhores feudais de província seus servos falecidos (âmes mortes) e, acompanhado pelos fantasmas, toma posse de vastos domínios e ingressa na alta sociedade. Em suas obras, Chagall capta o estilo de Gogol, ao desnudar os seres humanos e combinar a força satírica com o lirismo nostálgico de sua terra natal. As ilustrações são, em si mesmas, peças de narrativas visuais.
3) Série Fábulas de La Fontaine
23 gravurasSob encomenda do marchand e crítico de arte Ambroise Vollard, Chagall produziu, entre 1926 e 1927, 100 guaches representativos das fábulas de La Fontaine (1621-1695). Os guaches foram expostos, em 1930, em Paris, Bruxelas e Berlim. Vendidos, dispersaram-se pelo mercado e nunca mais foi possível reuni-los integralmente. O conjunto exposto em Paris causou polêmica. Diversos críticos atacaram a abordagem do pintor. Vollard saiu em defesa do artista, afirmando haver grande empatia entre o espírito das fábulas e a obra de Chagall. Ainda em 1927, mais uma vez a pedido de Vollard, Chagall retoma os temas dos guaches, para refazê-los em gravura em metal e explorar as possibilidades expressivas da água-forte. Essas ilustrações mostram o artista com um domínio muito mais apurado do processo de produção da gravura. Do ponto de vista técnico, o resultado é superior à série Les Âmes mortes. O pintor utilizou, também, a água-tinta, para obter uma variada gama de cinzas, que dialogam com zonas de negro intenso e aveludado.
4) Série A Bíblia
105 gravurasApós as séries Les Âmes Mortes, de Gogol, e das Fábulas de La Fontaine, Vollard pediu a Chagall que realizasse um conjunto sobre a Bíblia. O artista trabalhou neste projeto de 1931 até 1939. Em função da incumbência, viajou à Palestina para conhecer o teatro dos acontecimentos bíblicos. Voltou sua atenção aos temas religiosos pintados por grandes mestres, como Rembrandt (1606-1669), cujas gravuras conheceu na viagem que fez à Holanda, em 1932. Chagall já havia realizado mais de 60 gravuras da série sobre a Bíblia quando Vollard faleceu. Apesar disso, continuou trabalhando. As 105 gravuras foram concluídas em 1939 e a publicação, planejada por Tériade em três tempos: 1948, 1952 e 1956. A essência de Rembrandt pode ser notada pela composição das cenas bíblicas e por muitos dos efeitos gráficos do velho mestre que foram aplicados nas gravuras de Chagall.
5) Série Dafne e Cloé
42 gravurasEsta foi a que mais me impressionou. Maravilhosa, exuberante em suas cores...
Para realizar a série Daphnis et Chloé, Chagall viajou duas vezes à Grécia, com o propósito de vivenciar a atmosfera e a luminosidade da paisagem e conhecer melhor a cultura pastoril. A primeira visita, em 1952, proporcionou a execução dos primeiros guaches, que registram a luz mediterrânea e a experiência emocional vivida em terras gregas. Dois anos depois, o artista retornou para aprofundar seus conhecimentos do mundo clássico. Os 42 guaches foram realizados entre 1953 e 1954. Em 1957, o pintor dá início aos estudos preparatórios para a transposição dos guaches em litografias, com o impressor Charles Sorlier (1921-1990), no famoso estúdio de Fernand Mourlot. Juntos, eles desenvolveram transparências de cor e criaram jogos que contrapunham brilhos e opacidades. Para obter o resultado pretendido, de extraordinária beleza cromática, foi necessário utilizar uma pedra para cada tonalidade de cor. Assim, uma única gravura exigiu 25 pedras matrizes, o que significa 25 impressões. Tal minucioso processo estendeu-se por quatro anos e a série foi publicada em 1961, por Tériade.
6) Esculturas
2 esculturasAs duas esculturas em mármore, Oiseau [Pássaro] e Poisson [Peixe], foram encomendadas ao artista, em 1964, por Ira Kostelitz para um pavilhão especialmente construído para exibi-las em sua residência parisiense. Cerca de 40 anos mais tarde foram doadas a Leonard e Annette Gianaddah, que inauguraram a Cour Chagall, em novembro de 2003, por ocasião do 25º aniversário da Fundação Pierre Gianadda, na Suíça.
Casa Fiat de Cultura
Rua Jornalista Djalma Andrade, 1250 - Belvedere – Nova Lima (MG)
Informações: 31 3289-8900
Entrada gratuita para toda a programação.
Terça a sexta-feira - 10h às 21h
Sábados, domingos e feriados - 14h às 21h.
Transporte gratuito (Van) em frente à Secretaria de Educação, na Praça da Liberdade.
Agendamento para grupos e escolas: (31) 3289-8910 ou e-mail:agendamento@casafiat.com.br
www.casafiatdecultura.com.br