domingo, 20 de janeiro de 2008

Música linda...

Beija-flor
Flavio Vemturini

O que faz o beija - flor
Ter vontade de voar?
Vai e diz ao meu amor
O que viu do meu penar
Vai dizer ao meu grande amor
Que eu sempre vou tão só
Diz também para o meu amor
É só voltar, beija - flor
O que faz o beija - flor
Ter lampejos cor do mar?
Quando eu penso em você
Meu desejo é navegar
O que faz o beija - flor
Ter mais prata que o luar
Faz o mel da tua flor
Ser mais doce ao paladar
Vai dizer ao meu grande amor
Que eu sempre estou e vou tão só
Diz também para o meu amor
É só voltar, beija - flor
Quando riscas o céu
És mais doce que o mel
Que tiras da flor
Mais do que viver
Só te importa voar ... Beija - flor

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Eu digo com os olhos...

"As mulheres que dizem com os olhos contêm a imensidão e deixam marcas por onde passam. Ai dos homens cujo peito fizer parte do chão, do caminho que pisam as mulheres que dizem com os olhos, ai deles..."
Gildes Bezerra

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Orquídeas-fotos de minha autoria


Em 21/10/2007 fui à uma Exposição Nacional de Orquídeas no Minascentro e tirei algumas fotos...
Compartilho com vocês!
beijos, Lourdinha.
Posted by Picasa

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Por quê? É incompreensível para mim...

Recordação
Cecília Meireles

Agora, o cheiro áspero das flores
leva-me os olhos por dentro de suas pétalas.
Eram assim teus cabelos;
tuas pestanas eram assim, finas e curvas.
As pedras limosas, por onde a tarde ia aderindo,
tinham a mesma exaltação de água secreta,
de talos molhados, de pólen,
de sepulcro e de ressurreição.
E as borboletas sem voz
dançavam assim veludosamente.
Restitui-te na minha memória, por dentro das flores!
Deixa virem teus olhos, como besouros de ônix,
tua boca de malmequer orvalhado,
e aquelas tuas mãos dos inconsoláveis mistérios,
com suas estrelas e cruzes,
e muitas coisas tão estranhamente escritas
nas suas nervuras nítidas de folha,
- e incompreensíveis, incompreensíveis.
Murmúrio
Cecília Meireles

Traze-me um pouco das sombras serenas
que as nuvens transportam por cima do dia!
Um pouco de sombra, apenas,
- vê que nem te peço alegria.
Traze-me um pouco da alvura dos luares
que a noite sustenta no teu coração!
A alvura, apenas, dos ares:
- vê que nem te peço ilusão.
Traze-me um pouco da tua lembrança,
aroma perdido, saudade da flor!
- Vê que nem te digo - esperança!
- Vê que nem sequer sonho - amor!

sábado, 20 de outubro de 2007

"Torna-te quem tu és"
Nietzsche

Nada como virar a página...

" O tempo vive em mim. Não tenho saudade do passado nem persigo o futuro".
Paulinho da Viola. Revista Época, pág. 124, 15/10/2007.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Certas palavras
Carlos Drummond de Andrade
Certas palavras não podem ser ditas
em qualquer lugar e hora qualquer.
Estritamente reservadas
para companheiros de confiança,
devem ser sacralmente pronunciadas
em tom muito especial
lá onde a polícia dos adultos
não adivinha nem alcança.
Entretanto são palavras simples:
definem
partes do corpo, movimentos, atos
do viver que só os grandes se permitem
e a nós é defendido por sentença
dos séculos.
E tudo é proibido. Então, falamos.

domingo, 30 de setembro de 2007

4° Motivo da Rosa
Cecília Meireles

Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.

Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.

Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.

E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Conheça o trabalho de Frans Krajcberg!



Descobri, recentemente, um artista

M A R A V I L H O S O :

Frans Krajcberg.

Polonês, naturalizado brasileiro, ambientalista, 86 anos de pura criatividade! Estou simplesmente fascinada!

domingo, 9 de setembro de 2007

" Tudo acaba, mas o que eu escrevo, continua.
O que é bom, muito bom, o melhor, ainda não foi escrito,
o melhor está nas entrelinhas."
Clarice Lispector

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Concordo!

Mário de Andrade afirmou:
"As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos".

quarta-feira, 29 de agosto de 2007

Para aqueles que pensam que vão interromper o meu caminhar...

POEMINHO DO CONTRA
Mário Quintana
Todos estes que aí estão
Atravancando o meu caminho,
Eles passarão.
Eu passarinho!

Concordo! Por isto utilizo poemas para expressar o que sinto...

Um bom poema é aquele que nos dá a impressão de que está lendo a gente ...
e não a gente a ele!

Mario Quintana - A vaca e o hipogrifo

sexta-feira, 24 de agosto de 2007

Talvez
Pablo Neruda
Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,
E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos...
E por amor
Serei... Serás...Seremos...

De Pablo Neruda...

Dois...
Apenas dois.
Dois seres...
Dois objetos patéticos.
Cursos paralelos
Frente a frente...
...Sempre... ...
A se olharem...
Pensar talvez:
“Paralelos que se encontram no infinito...
”No entanto sós por enquanto.
Eternamente dois apenas.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

É nem tudo é como a gente quer...

Nem tudo é fácil na vida...¨ NEM TUDO É FÁCIL ¨
Cecília Meireles
...É difícil fazer alguém feliz,assim como é fácil fazer triste.
É difícil dizer eu te amo,assim como é fácil não dizer nada.
É difícil ser fiel,assim como é fácil se aventurar.
É difícil valorizar um amor,assim como é fácil perdê-lo para sempre.
É difícil agradecer pelo dia de hoje,assim como é fácil viver mais um dia.
É difícil enxergar o que a vida traz de bom,assim como é fácil fechar os olhos e atravessar a rua.
É difícil se convencer de que se é feliz,assim como é fácil achar que sempre falta algo.
É difícil fazer alguém sorrir,assim como é fácil fazer chorar.
É difícil colocar-se no lugar de alguém,assim como é fácil olhar para o próprio umbigo.
Se você errou, peça desculpas...
É difícil pedir perdão?Mas quem disse que é fácil ser perdoado?
Se alguém errou com você, perdoa-o...
É difícil perdoar?Mas quem disse que é fácil se arrepender?Se você sente algo,
diga...
É difícil se abrir?Mas quem disse que é fácil encontrar alguém que queira escutar?Se alguém reclama de você, ouça...
É difícil ouvir certas coisas?Mas quem disse que é fácil ouvir você?!
Se alguém te ama, ame-o...
É difícil entregar-se?Mas quem disse que é fácil ser feliz?!
Nem tudo é fácil na vida...
Mas, com certeza, nada é impossível...
Precisamos acreditar, ter fé e lutar para que não apenas sonhemos,
Mas também tornemos todos estes desejos,
REALIDADE!

Aqui, neste blog, está a minha vida...

Aqui está a minha vida
Cecília Meireles
Aqui está minha vida.
Esta areia tão clara com desenhos de andar
dedicados ao vento.
Aqui está minha voz,
esta concha vazia, sombra de som
curtindo seu próprio lamento
Aqui está minha dor,
este coral quebrado,
sobrevivendo ao seu patético momento.
Aqui está minha herança,
este mar solitário
que de um lado era amor e, de outro, esquecimento."

segunda-feira, 20 de agosto de 2007


Metade
(Oswaldo Montenegro)

Que a força do medo que tenho
não me impeça de ver o que anseio
que a morte de tudo em que acredito
não me tape os ouvidos e a boca
porque metade de mim é o que eu grito
mas a outra metade é silêncio.
Que a música que ouço ao longe
seja linda ainda que tristeza
que a mulher que amo seja pra sempre amada
mesmo que distante
porque metade de mim é partida
mas a outra metade é saudade.
Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com
fervor
apenas respeitadas como a única coisa
que resta a um homem inundado de sentimentos
porque metade de mim é o que ouço
mas a outra metade é o que calo.
Que essa minha vontade de ir embora
se transforme na calma e na paz que eu mereço
e que essa tensão que me corrói por dentro
seja um dia recompensada
porque metade de mim é o que penso
mas a outra metade é um vulcão.
Que o medo da solidão se afaste
e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos
suportável
que o espelho reflita em meu rosto num doce sorriso
que eu me lembro ter dado na infância
porque metade de mim é a lembrança do que fui
a outra metade não sei.
Que não seja preciso mais do que uma simples alegria
pra me fazer aquietar o espírito
e que o teu silêncio me fale cada vez mais
porque metade de mim é abrigo
mas a outra metade é cansaço.
Que a arte nos aponte uma resposta
mesmo que ela não saiba
e que ninguém a tente complicar
porque é preciso simplicidade pra fazê-la florescer
porque metade de mim é platéia
e a outra metade é canção.
E que a minha loucura seja perdoada
porque metade de mim é amor
e a outra metade também.